Eu nunca gostei muito do mar. Deve ser coisa de quem nasceu no cerrado, mas o mar também não ajuda.
Por exemplo, o mar não é tão romântico quanto se pinta. Veja só, quando minha namorada veio do Distrito Federal para cá, eu lhe dei uma rosa, que ela deixou aqui quando voltou para casa. Eu não iria simplesmente jogar a rosa no lixo, oras: fui à Pedra do Leme e joguei a rosa ao mar, pensando nela… Quando contei isso à namorada, ela perguntou se eu disse algo como “Mar, leve esta rosa para meu amor”. Obviamente, eu não pensei: o mar não iria chegar ao Distrito Federal… Assim, mesmo depois de todos os meus esforços, o mar quebrou o clima.
Entretanto, o pior do mar é o medo que me causa. Como posso saber que a água não está cheia de esgoto? Que não há alguma toxina mortal ali? E o risco de ser devorado por uma água-viva? Pior ainda: se já existem seres comocobras-do-mar, ouriços-do-mar, escorpiões-do-mar, quem garante que não surgirá um ebola-do-mar, e eu serei o paciente zero? Ideia ridícula, me dizem, isto nunca aconteceria. Ficaram nessa conversa de “isto nunca aconteceria” sobre o mar até que, do nada, surge a vida.
A verdade é que o mar do Rio de Janeiro também não ajuda. O mar de Copacabana, por exemplo, é muito forte. Eu mesmo, um marmanjo de 100 kg distribuídos em 1,85 m, começo sempre brincando e termino me arrastando para o calçadão com as costas em carne viva e fratura exposta. Essa violência toda deve ser bullying contra novatos, só porque estou aqui há somente alguns meses e o mar há uns quatro bilhões de anos.
Mas podem escrever: não me darei por vencido! Todo fim-de-semana que passo no Rio, faço questão de andar por toda a praia de Copacabana até o Leblon. Ainda aprenderei a gostar do mar! Neste dia, poderei, finalmente, sair de todos os flamewars políticos, econômicos, religiosos, culturais e técnicos dizendo que bom mesmo é praia.

Na verdade, estou de brinks, já aprendi a gostar do mar. Meu negócio é dar vontade em vocês com essas fotografias.
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4 Comments
Muito bom.
Pena que vc não foi romântico o suficiente no episódio da rosa.
Ainda acho que o seu problema, assim como o meu quando estive aí, é descobrir uma praia com mar bem calminho, daquelas quase piscina natural. Já estive em algumas dessas, inclusive literalmente em uma piscina natural em Maceió, que vc vai de barquinho pelo mar afora e de repente chega num lugar com águas calmíssimas o suficiente para banhar crianças pequeninas… é uma sensação curiosa.
Só acho que o mar poderia ser melhor se não houvesse a areia. Ô coisa chata é lavar toda a areia que fica grudada em seu corpo e em todos os seus objetos que lá estiveram (roupas de praia, calçados, etc)!
Claramente, você se confundiu e falou “Pena que vc não foi romântico o suficiente” quando queria dizer “Pena que o mar não foi romântico o suficiente”.
De resto, realmente o mar aqui é bem mais forte que, por exemplo, no Nordeste. Para ser honesto, acho as praias do NE que conheci melhores, mesmo… mas o Rio tem um charme especial
Até!
Não, não me confundi. Você que não foi um cara romântico.
Hoje comentei sobre seu post com minha mãe e ela falou que na Barra o mar é mais calmo (e em outro lugar que não lembro ao certo).
Gostei muito dos poucos locais do nordeste em que já fui.
Beijo!
Oras, eu fui até a Pedra do Leme jogar uma rosa. Fiz minha parte, o mar é que não a levou para o lugar certo, pois, pois…
De resto, as águas da Barra realmente são mais calmas, mas ainda são mais violentas que algumas do NE (Porto Seguro, Fortaleza). Lembram-me um pouco o mar de Salvador.
Até!
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