Atualização: as consequências da decisão são mais cruéis do que eu imaginava. Entendo melhor todo o choque com a decisão agora, e concordo com quem protestou.
O jornal O Globo publicou uma reportagem interessante e frutífera sobre o grande número de haitianos imigrando através do Acre. Apesar das más condições e da desconfiança dos brasileienses, os recém-chegados parecem confiantes. Como são geralmente bem educados, sua boa formação deve facilitar suas buscas por emprego.
A reportagem despertou o interesse da população por este fenômeno, comumente associado às nações europeias e norte-americanas. O novo fenômeno se tornou um assunto constante e o governo federal se viu obrigado a se posicionar rapidamente. A decisão foi fechar a fronteira aos haitianos, ceder vistos aos que já adentraram ao país ilegalmente e prover cem vistos mensais aos que quiserem vir do Haiti para cá.
A decisão não foi muito bem recebida por aqueles a favor da imigração. O problema não seria o fechamento das fronteiras – que é natural, pois ninguém defende que se use coiotes para trazer imigrantes – nem os vistos cedidos ao que já chegaram, mas o pequeno número que seria oferecido aos haitianos em sua terra. Eu fiquei surpreso com esta reação, pois a decisão governamental me pareceu, ao menos, razoável. Talvez devido ao preconceito grotesco que preenchia as caixas de comentários das notícias, temia que o governo partisse para ações terríveis, como deportação.
Concordo que o número de vistos parece pequeno. Entretanto, desde que conheci a decisão, imaginei o que o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, afirmou: dado o pequeno número de haitianos com recursos para emigrar, uma centena de vistos pode atender a demanda. Também acredito que um número maior de vistos, ou mesmo sua emissão sem limite mensal, fosse mais positiva, mas desconheço os detalhes burocráticos do processo. De qualquer forma, acredito que a decisão, imperfeita, foi um passo no caminho certo e pode ser aperfeiçoada.
O lado mais positivo é que, apesar do preconceito repugnante na Internet, as pessoas com quem falo parecem simpáticas aos imigrantes. O Brasil certamente tem recursos para receber os haitianos. Mais que isto, como a maioria deles são profissionais treinados e educados, eles são a mão de obra que mais falta para o Brasil crescer. (De fato, já estamos importando mão de obra qualificada há algum tempo, e os haitianos serão apenas uma pequena parte dos imigrantes.) O Haiti também tem muito a ganhar com isto, pois emigrantes são muito eficazes em combater a pobreza de suas nações. Os recém-chegados têm tudo para serem bem sucedidos e ajudarem suas famílias e seu país de origem. Como o Brasil é um país de imigrantes – já recebemos pessoas em condições muito semelhantes da Europa empobrecida no início do século passado – acredito que os haitianos resultarão em mais histórias de sucesso.
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- 21 de janeiro de 2012, às 13:22 [Revisão Atual] by brandizzi
- 15 de janeiro de 2012, às 19:41 by brandizzi

2 Comments
Brandizzi, também acho razoável a decisão… e concordo contigo, podemos receber os imigrantes e temos muito a ganhar com a chegada deles.
Pois é, Sharon, ao menos foi no caminho certo. Espero que haja mais abertura muito em breve!