A Terrell Peterson

 

Seus olhos tão grandinhos, eu os vejo,

o tempo todo os vejo, não me deixam

mas não querem mais nada, os seus olhinhos

arregalados. Só o que eles fazem

é não saber, incompreendem tudo,

mas não perguntam nada, só não sabem

porque dói tanto e tão pouco lhe é dado.

Eu sei, eu sei que eles se fecharam

e não olham mais nada, mas por isso

é que olham muito mais, mais grandemente,

sem pedidos nem choros nem perguntas:

apenas incompreensão e horror.

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3 Comments

  1. Lorena Brandizzi
    Posted 16/08/2013 at 07:18 | Permalink

    Que história triste… fui para o google pesquisar e me arrependo amargamente… 🙁

  2. Posted 16/08/2013 at 11:24 | Permalink

    Eu sei… Peço até desculpas, mas publiquei isso justamente porque, quando descobri, fiquei abalado por dias. Isso aí foi uma tentativa de aliviar o choque. Pensei até em apagar mas… sei lá, fico pensando que ao menos podemos lembrar dele, lembrar da tragédia. É o mínimo que esse mundo de merda pode fazer :-/

  3. Lorena Brandizzi
    Posted 16/08/2013 at 12:27 | Permalink

    Eu li o artigo americano da Wikipédia sobre ele… é terrível. O poema choca porque reforça essa sensação de horror… Na Wikipedia eu li um citação de alguém dizendo algo como “que bom que ele morreu, porque em vida seus sofrimentos eram muito piores do que a morte”. Essa afirmação dá a impressão de que agora ele estaria em paz. Um crime foi cometido, mas ele está em paz… Seu poema quebra essa lógica e joga na cara o fato de que não há paz alguma nessa situação. Não digo do ponto de vista místico ou espiritual. Não questiono se a alma dele está por aí ou não. Mas que no fundo, não há paz porque os olhos dele se repetem na face de outras milhares de crianças… Sei lá…

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